Apesar de ainda receber pouca atenção, a saúde auditiva feminina pode sofrer influência das alterações hormonais que ocorrem nas diferentes fases da vida.
Seja no período menstrual, durante uma gestação ou mesmo com a chegada da menopausa, a produção de hormônios é alterada.
Nessas fases da vida, ocorre a alteração na produção de hormônios, como estrogênio e progesterona.
Essas mudanças podem afetar diferentes funções e sistemas essenciais, inclusive o auditivo, interferindo na percepção sonora, no equilíbrio e até no aparecimento de problemas como zumbido.
Mas, afinal, qual é a relação entre hormônios e saúde auditiva feminina?
Continue a leitura e descubra como essas mudanças podem afetar a audição e como você pode protegê-la.
Saúde auditiva e oscilações hormonais ao longo da vida
A relação entre hormônios femininos e saúde auditiva está ligada principalmente à atuação do estrogênio e da progesterona no organismo.
Tanto o estrogênio quanto a progesterona participam da regulação da função auditiva, influenciando a circulação sanguínea na cóclea, a atividade dos neurônios auditivos e o equilíbrio dos fluidos do ouvido interno.
Por isso, as oscilações hormonais ao longo da vida da mulher, como durante o ciclo menstrual, gravidez ou menopausa, podem estar associadas a sintomas como zumbido, hipersensibilidade sonora ou alterações temporárias na audição.
Um estudo publicado na revista da PUC/SP indica que a redução do estrogênio no final do ciclo menstrual pode provocar, em algumas mulheres, leve diminuição da sensibilidade auditiva, sensação de ouvido abafado ou até episódios de zumbido.
Na maioria dos casos, essas alterações são passageiras e tendem a desaparecer quando os níveis hormonais voltam a se estabilizar.
Situações semelhantes podem ocorrer na gravidez e na menopausa, períodos em que o organismo passa por intensas transformações hormonais.
Leia também: Saúde auditiva: quais os principais cuidados?
Mudanças temporárias na audição durante a gravidez
A gravidez é um dos períodos em que o organismo feminino apresenta as maiores transformações hormonais e elas podem influenciar diretamente a saúde auditiva e provocar alterações temporárias na audição.
Sem contar que, durante a gestação, ocorre aumento do volume sanguíneo, retenção de líquidos e alterações na pressão arterial, fatores que também podem afetar o sistema auditivo.
Queixas auditivas e vestibulares são frequentes em gestantes e, segundo um estudo publicado no Journal of Otology, estão frequentemente relacionadas a alterações hormonais.
Entre as queixas mais comuns das gestantes estão:
- vertigem,
- zumbido,
- hipersensibilidade a sons,
- perda auditiva.
Além das alterações hormonais que podem afetar a audição, é importante destacar que durante a gestação é comum a retenção de líquidos.
Essa retenção também pode alterar o equilíbrio dos fluidos presentes na cóclea e no sistema vestibular, estruturas responsáveis pela audição e pelo equilíbrio corporal.
Na maioria das vezes, esses sintomas são temporários e tendem a desaparecer após o parto.
Porém, recomenda-se acompanhamento profissional para preservar a saúde auditiva da mulher e garantir que possíveis alterações sejam monitoradas de forma segura.
Menopausa: o impacto do declínio hormonal na saúde auditiva
A menopausa marca uma fase importante de transição hormonal no organismo feminino e pode impactar a saúde auditiva feminina..
Estudos recentes publicados no periódico Springer Nature indicam que hormônios como estrogênio e progesterona participam de processos fisiológicos importantes no ouvido interno.
A queda do estrogênio pode influenciar a circulação sanguínea e afetar a função das células responsáveis pela captação dos sons.
Esse processo pode estar associado a maior incidência de zumbido e ao avanço de alterações auditivas relacionadas ao envelhecimento.
Algumas mulheres, por exemplo, relatam mudanças na forma como percebem sons, dificuldade em compreender conversas em ambientes ruidosos ou sensação constante de ruído nos ouvidos.
Essas alterações podem impactar a qualidade de vida, especialmente quando interferem na comunicação, no sono e no bem-estar emocional.
Por isso, avaliações audiológicas periódicas se tornam especialmente importantes nessa fase da vida.
O diagnóstico precoce permite identificar alterações auditivas e adotar estratégias de cuidado adequadas, contribuindo para preservar a saúde auditiva e manter a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Agora que você compreendeu como as alterações hormonais podem afetar a audição, que tal continuar a leitura para compreender melhor o que é o zumbido somatossensorial: quando o som no ouvido começa no corpo?


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