Zumbido somatossensorial: quando o som no ouvido começa no corpo

Zumbido somatossensorial: quando o som no ouvido começa no corpo

O zumbido somatossensorial é mais comum do que pensamos e pode ser um sintoma de alterações musculares em áreas do corpo que, na maioria das vezes, nem imaginamos.

Segundo publicação do Conselho Federal de Fonoaudiologia, cerca de 28 milhões de brasileiros convivem com o zumbido, também chamado de tinnitus.

Embora mais de 90% das pessoas que apresentam zumbido tenham alterações das vias auditivas, uma parte desses casos não está relacionada a problemas no sistema auditivo, mas sim ao sistema musculoesquelético.

Nesses casos, a forma de zumbido pode ser provocada, aumentada ou mesmo reduzida por movimentos corporais, ou tensão muscular.

Estamos falando do zumbido somatossensorial. Compreender os mecanismos por trás desse problema vai te ajudar a perceber sinais que passam muitas vezes despercebidos e também contribui para um diagnóstico mais preciso e acompanhamento adequado.

Quer entender melhor esse tipo de tinnitus, como ele ocorre, sinais e formas de prevenção e tratamento? Continue a leitura e confira.

 

O que é zumbido somatossensorial?

Segundo estudo publicado na Revista Clinics, o zumbido afeta entre 10% a 17% da população global. O chamado tinnitus pode ser definido com um som que aparece no ouvido, sem estímulo ambiental externo.

Trata-se de um sintoma, um alerta do corpo de que tem algo sem funcionar adequadamente e não de uma doença em si. Sua causa pode estar associada à:

  • alterações nas vias auditivas, entre eles excesso de cera, infecções e perda auditiva (com e sem sintomas na comunicação);
  • deficiência de nutrientes, como vitamina B12, D, magnésio e zinco;
  • apneia do sono;
  • noites mal dormidas;
  • ⁠problemas da articulação temporo-mandibular;
  • ⁠problemas de coluna;
  • movimentos corporais específicos;
  • tensão muscular.

 

Algumas pessoas comparam o tinnitus a um chiado, panela de pressão fervendo, barulho de cachoeira, apito, cigarra e entre outros ruídos, que podem ser contínuos, intermitentes, agudos, crônicos e até pulsantes.

É importante dizer também que muitas pessoas dizem ouvir o chiado somente em ambientes silenciosos, já outras o percebem o tempo todo.

Um tipo muito comum de zumbido é o somatossensorial. Nesse caso, o som, ocorre quando estímulos musculoesqueléticos interferem nas vias auditivas. 

Ou seja, é provocado por estímulos vindos de outras partes do corpo, especialmente:

  • contração do maxilar, 
  • movimento dos músculos,
  • articulações,
  • nervos da cabeça,
  • pescoço,
  • alterações na articulação temporomandibular (ATM),
  • bruxismo,
  • tensão cervical.

Segundo o estudo publicado na Revista Clinics, 65% dos casos de zumbido estão associados ao tipo somatossensorial. 

Leia também: Música alta e saúde auditiva, como curtir música sem se prejudicar?

 

Sinais e fatores que podem intensificar o zumbido somatossensorial

Pessoas que sofrem de zumbido somatossensorial costumam relatar sons variados, como chiado, apito e outros sons.

A intensidade desses sons pode variar, aumentando ou diminuindo, dependendo de movimentos como a movimentação do pescoço, abertura da boca, apertar dos dentes ou pressão na mandíbula pelo paciente.

Compreende-se que a tensão muscular é um fator que pode intensificar o problema. Assim, posturas inadequadas no trabalho, longos períodos no computador e apertamento dental noturno aumentam a sobrecarga nos músculos cervicais e da face, o que intensifica/leva ao aumento do zumbido.

Hábitos como bruxismo, estresse elevado, dormir em posições que tensionam o pescoço e falta de alongamento diário também contribuem para aumentar a sensibilidade somatossensorial. 

Em muitos casos, somente a avaliação multidisciplinar permite identificar a causa do zumbido somatossensorial.

Caminhos para prevenir e tratar o zumbido

Como dissemos, o zumbido somatossensorial é provocado por estímulos corporais e tanto a prevenção quanto o tratamento envolvem pequenas mudanças na rotina do paciente, seguidas de orientações e acompanhamento profissional. 

Algumas dicas para aliviar ou evitar a intensificação do tinnitus são:

praticar exercícios de alongamento cervical e mandibular,

corrigir a postura ao sentar e ao usar dispositivos eletrônicos,

buscar avaliação para bruxismo ou disfunções da ATM,

reduzir o estresse com técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação,

procurar fisioterapia e fonoaudiologia especializada.

 

Destacamos que os exercícios realizados por um fonoaudiólogo especializado em cabeça e pescoço é uma das abordagens mais eficazes para ajudar na melhora da postura, no equilíbrio muscular e na diminuição da sobrecarga nas articulações que influenciam o zumbido.

 

E o acompanhamento multidisciplinar com fonoaudiólogos, fisioterapeutas, otorrinolaringologistas, dentistas e priscologos garante um cuidado completo. 

 

Agora que você compreendeu que o zumbido somatossensorial pode ser um sinal de alerta do seu corpo, que tal continuar aqui no nosso blog e ler também sobre remédio para zumbido no ouvido? Cuidado com as fake news.

 

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