Aparelhos auditivos têm o poder de reconectar as pessoas aos sons da vida. Mas muitos deles vão parar na gaveta por frustração do paciente na fase de adaptação dos dispositivos.
Segundo um estudo publicado na Revista Científica Cold Spring Harbor Perspectives in Medicine, a perda auditiva é o déficit sensorial mais comum no mundo, afetando cerca de 8% da população global.
Os aparelhos auditivos são fundamentais no tratamento da condição. O uso diário dessa tecnologia é o que permite ao cérebro da pessoa com perda se readaptar aos sons.
Vários são os estudos que apontam que pessoas que passam a usar aparelhos têm suas vidas transformadas.
Um deles foi realizado na França e aponta que 86% das pessoas que usam soluções auditivas afirmam terem conquistado melhor qualidade de vida.
Por outro lado, não é raro o paciente dizer que abandonou o seus aparelhos por desconforto e dificuldades na adaptação e até mesmo por um sentimento de frustração durante o pouco tempo que os usou.
Vamos entender o que leva muitas pessoas a abandonarem seus aparelhos nas gavetas logo após a compra?
Continue a leitura e confira.
Aparelhos auditivos e o impacto de voltar a ouvir tudo de uma vez
Quando uma pessoa fica um longo tempo privada da audição, o cérebro deixa de receber estímulos auditivos e se adapta ao silêncio.
Assim, sons cotidianos como passos, talheres, eletrodomésticos funcionando, ventiladores ou ar-condicionado ligados, entre outros, deixam de ser processados de forma ativa pelo cérebro.
Quando a pessoa começa a usar os aparelhos auditivos o cérebro passa novamente a receber esses estímulos.
Porém, ele está destreinado, afinal, faz tempo que se mantém privado de sons.
Agora, de uma hora para outra, começou de novo a receber uma grande quantidade de informações sonoras simultâneas.
Essa sobrecarga pode provocar desconforto, sensação de ruído constante e dificuldade de concentração na pessoa que começou a usar aparelhos auditivos, levando-a muitas vezes a abandoná-los na gaveta e não usá-los mais.
É importante compreender que esse efeito não significa que o aparelho esteja com problema. Ele acontece porque o seu sistema auditivo voltou a receber estímulos e o seu cérebro precisa de um período de adaptação para organizar os sons novamente. Mas entenda, isso não precisa ser assim!
É importante destacar também que uma pesquisa realizada no Reino Unido e publicada no British Academy of Audiology indica que cerca de 20% das pessoas adultas que começam a usar aparelhos auditivos não dão continuidade no tratamento.
Infelizmente, um dos motivos principais motivos é a dificuldade na adaptação.
Leia também: 5 erros comuns ao comprar aparelhos auditivos.
O processamento auditivo central como causa do cansaço mental e da irritabilidade
O cérebro estava destreinado, mas com o uso dos aparelhos auditivos ele passa a realizar um esforço intenso para diferenciar fala, ruído e outras informações sonoras relevantes. Por isso a tecnologia dos aparelhos, que reduzem ruídos e focam mais na fala, podem ajudar, mas é o trabalho de um fonoaudiólogo experiente, que vai ser o divisor de águas na sua reabilitação auditiva.
Esse esforço constante pode resultar em fadiga mental progressiva, dores de cabeça e irritabilidade que, por vezes, também podem influenciar o humor e a tolerância ao som durante toda a fase de adaptação com o aparelho.
É importante você compreender que o desconforto e fadiga não são efeitos do aparelho, mas resultam da dificuldade que o seu cérebro ainda apresenta em organizar os estímulos recebidos.
Quanto mais tempo você usá-los, mais estará ajudando o seu cérebro. Então sempre compartilhe com o seu fonoaudiólogo o que está sentindo para que os ajustes sejam realizados e você passe por essa fase com sucesso.
Leia também: Você sabe como funcionam os aparelhos auditivos?
Por que os aparelhos auditivos acabam esquecidos na gaveta?
Quando um paciente decide usar aparelhos auditivos, ele deseja um benefício imediato, porém, se frustra ao experienciar desconforto auditivo e cansaço mental, que podem ocorrer com alguns pacientes quando os ajustes não estão corretos.
Isso favorece a decisão de interromper o uso.
Esse abandono ocorre, na maioria dos casos:
- pela ausência de acompanhamento e suporte centrado ao paciente
- pela falta de uma reeducação auditiva.
Fato é que sem reeducação auditiva e acompanhamento profissional, essa fase inicial se torna difícil, fazendo com que muitos deixem o aparelho de lado antes que o cérebro tenha tempo de reaprender a ouvir.
Aqui, reforçamos que programas de adaptação progressiva reduzem significativamente as taxas de abandono e que respeitar o tempo do cérebro é fundamental nessa fase de adaptação.
Na AudioSave, cada paciente recebe acompanhamento próximo, orientação clara e ajustes progressivos que respeitam o ritmo do cérebro, cuidados que tornam a adaptação mais confortável, segura e eficaz. Aqui nosso tratamento exclusivo que vai do diagnóstico detalhado, passa pela reabilitação auditiva com uso dos aparelhos e todas as consultas de acompanhamento com equipamentos que nos garantem que a amplificação esteja correta (mapeamento de fala), são o caminho pro sucesso da adaptação dos nossos pacientes.
Os aparelhos auditivos são o meio, e não o fim do tratamento.



