Usar aparelho auditivo aos 45 ainda pode parecer cedo para muita gente. Afinal, por décadas essa tecnologia foi associada quase exclusivamente às pessoas idosas.
Pensar que aparelhos auditivos são soluções apenas para a terceira idade pode atrasar cuidados importantes. Alterações na audição podem surgir em diferentes fases da vida e afetar a comunicação, as relações sociais, o trabalho e o bem-estar.
A Lancet Commission, grupo internacional de especialistas que analisa evidências sobre prevenção e cuidados relacionados à demência, incluiu a perda auditiva entre os fatores de risco potencialmente modificáveis, ou seja, aqueles sobre os quais é possível agir.
No relatório de 2020 da comissão, a perda auditiva ganhou destaque como um fator de risco modificável associado à demência, especialmente na meia-idade.
Isso não significa que a perda auditiva cause demência. A associação envolve diferentes mecanismos e ainda é estudada pela ciência. No entanto, as evidências reforçam que, se a dificuldade para ouvir já existe, não é preciso esperar chegar aos 70 para cuidar dela.
Por isso, mais importante do que perguntar “sou jovem demais para usar aparelho?” é observar se a audição já interfere na rotina.
Quer entender por que cuidar da audição ainda na meia-idade pode fazer diferença? Veja quais sinais merecem atenção e quando procurar uma avaliação.
Aparelho auditivo aos 45: por que cuidar da audição ainda na meia-idade?
A inclusão da perda auditiva entre os fatores de risco modificáveis associados à demência pela Lancet Commission reforça que a atenção à audição não deve começar apenas na terceira idade.
Quando falamos em um fator de risco modificável, estamos falando de uma condição sobre a qual intervenções podem ser realizadas para reduzir a exposição ou seus impactos. No caso da audição, isso envolve identificar alterações, realizar uma avaliação adequada e buscar tratamento quando houver indicação.
Alguns sinais podem surgir já aos 40 ou 50 anos e acabar sendo normalizados no cotidiano, como:
- aumentar frequentemente o volume da TV,
- pedir para as pessoas repetirem o que disseram,
- ter dificuldade para acompanhar conversas em ambientes ruidosos,
- sentir maior esforço ou cansaço para acompanhar reuniões e encontros.
Se essas situações se tornam frequentes, é importante buscar uma avaliação. Nesse caso, usar aparelho auditivo aos 45, quando existe indicação profissional, não significa antecipar o envelhecimento, mas cuidar de uma dificuldade que já interfere no presente.
Leia também: A perda auditiva pode influenciar no envelhecimento
Perda auditiva e cérebro: por que esperar para cuidar pode não ser uma boa ideia?
A audição não depende apenas dos ouvidos. O cérebro participa ativamente desse processo, interpretando os estímulos sonoros, reconhecendo palavras e dando sentido às conversas.
Por isso, quando existe perda auditiva, compreender a fala pode exigir mais esforço. A dificuldade também pode reduzir a participação em encontros, reuniões e outras interações sociais, principalmente quando acompanhar as conversas se torna cansativo.
Um estudo publicado em 2024 no JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery acompanhou 573.088 pessoas com 50 anos ou mais e investigou a associação entre perda auditiva, uso de aparelhos auditivos e ocorrência de demência.
Os pesquisadores observaram que a perda auditiva estava associada a um risco maior de demência. Essa associação foi mais acentuada entre pessoas com perda auditiva que não utilizavam aparelhos do que entre aquelas que faziam uso da tecnologia, considerando como referência as pessoas sem perda auditiva.
É importante interpretar esses resultados com cautela. Por se tratar de um estudo observacional, ele demonstra uma associação, mas não permite afirmar que os aparelhos auditivos previnem a demência.
As evidências reforçam, porém, a importância de cuidar da audição ao longo da vida e de não adiar a avaliação quando surgem dificuldades.
Por isso, usar aparelho auditivo aos 45, 50, 60 anos ou até antes, quando existe indicação profissional, é uma forma de cuidar da audição no momento em que a necessidade aparece, sem esperar que os impactos na rotina se tornem maiores.
Leia também: A relação entre perda auditiva e saúde mental
Não existe idade certa para usar aparelho auditivo, existe a indicação certa
Não existe uma idade ideal para começar a usar aparelho auditivo. A indicação depende da avaliação profissional, do tipo e grau da perda auditiva e, principalmente, de como essa alteração interfere na vida de cada pessoa.
Usar aparelho auditivo aos 45, antes dessa idade ou depois dos 50 ou 60 anos pode fazer sentido quando existe uma necessidade real. O fator determinante não é a idade, mas a condição auditiva e a indicação profissional.
Por isso, é importante deixar para trás a ideia de que aparelhos auditivos são recursos exclusivos da terceira idade. Eles são soluções de reabilitação auditiva indicadas para pessoas de diferentes idades que apresentam perda auditiva e podem se beneficiar da tecnologia.
Buscar uma avaliação assim que as dificuldades aparecem permite compreender o que está acontecendo e conhecer as possibilidades de cuidado antes que a perda auditiva interfira ainda mais no trabalho, nas relações e na vida social.
Tem 40, 45, 50 anos ou mais e percebeu mudanças na forma como escuta? Sua idade não precisa definir quando começar a cuidar da audição.
Agende uma avaliação auditiva na AudioSave e descubra, com acompanhamento profissional, quais cuidados e soluções fazem sentido para a sua audição hoje.


